Tendências de logística 2019: estoques, contratos e combustível

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Para começar este ano, você precisa saber que há bastante otimismo no mercado de logística e transporte. Segundo um levantamento feito pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), 81% dos empresários estão confiantes de que os problemas de infraestrutura no país serão resolvidos gradualmente ao longo dos próximos anos. Um dos principais motivos por trás dessa visão positiva apontado pela pesquisa foi o resultado da eleição presidencial. E, ainda, de acordo com o levantamento, não é só a condição do transporte que deve melhorar nos próximos quatro anos. Os executivos também apostam numa recuperação do cenário macroeconômico: mais de 76% dos entrevistados pela CNT esperam um PIB (Produto Interno Bruto) maior do que o de 2018.

 

A confiança é tamanha a ponto de 54% afirmarem que pretendem aumentar o tamanho de suas frotas.


Tudo parece muito bom, mas o que esperar exatamente de 2019? Fizemos um apanhado com a opinião de especialistas e consultorias do setor para descobrir quais tendências devem acompanhar esse otimismo do mercado.

Abaixo, estão os quatro principais tópicos que investigamos:

 

1. Soluções Last Mile (ou “a última milha”)

Tendência: com o boom dos e-commerces, a chamada “última milha” deve se tornar mais importante do que nunca.

 

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Tecla SAP:
Última milha (ou last mile, em inglês):
É o termo usado para definir a etapa final em um serviço de entrega, na qual o produto chega ao seu destino final.

Se você tem o hábito de acessar a internet, provavelmente, a esta altura, já fez alguma compra online. Um estudo da consultoria Bain & Company aponta que o comércio eletrônico pode começar crescer 11% ao ano, a partir do ano que vem. O faturamento do setor deve chegar aos USD 16 bilhões (R$ 60,25 bilhões), vindos de uma variedade de tipos de produtos: vestuário, entretenimento, alimentação, saúde e beleza e eletrônicos.

A principal questão envolvendo a tal da última milha está na entrega para clientes que moram nos centros urbanos. É que a circulação de veículos de carga é restrita em boa parte das capitais, como São Paulo, Belo Horizonte, Campo Grande, Belém e Porto Alegre (a lista completa possui mais de 100 municípios).

 

Você deve ter imaginado: a última milha é muito cara. Segundo um levantamento da consultoria Eye For Transport, 50% ou mais dos custos totais do transporte de um produto estão na last mile.

 

Veja bem, o tópico vai além do varejo online. Negócios físicos também tiveram de se ajustar às regras. Mas, com a expansão dos e-commerces, devemos ver por aí um aumento na oferta de serviços capazes de facilitar a questão “última milha”. Isso para não mencionar os VUCs (Veículo Urbano de Carga, uma das opções mais queridas das empresas para driblar as restrições), que devem seguir em alta como opção de transporte.

 

“Em 2019, restrições de circulação irão crescer nos grandes centros urbanos. O nível de serviço exigido deve aumentar, assim como a competição pela conquista e fidelização dos clientes”, explica o professor do MBA da Fundação Getúlio Vargas e sócio-consultor da SCAMBO, Paulo Fernandes de Oliveira.

 

É por isso que a oferta de serviços para a last mile deve crescer. Aqui vão algumas:

a. Lockers:
Imagine um mundo no qual as compras que você faz num e-commerce não são entregues em frente à porta de casa ou na portaria do prédio. Em vez disso, são colocadas em armários, como aqueles das escolas americanas, em algum ponto próximo a você. Essa é a lógica por trás do lockers. No lugar de uma chave, o cliente recebe um código por e-mail. É somente com o uso dessa senha que ele poderá retirar sua encomenda do armário. A solução é usada também na logística reversa, para operações de troca e devolução, por exemplo. Seu principal aspecto está justamente no fato de que não necessita de um operador. A Via Varejo, dona das redes Casas Bahia e Ponto Frio, foi a primeira empresa a adotar os lockers aqui no Brasil.

O vídeo abaixo explica um pouco melhor como eles funcionam:

 

b. Cargo bikes:
Já faz certo tempo que a entrega via bicicleta vem ganhando espaço nas cidades, muito por conta da expansão das ciclovias. Há dois motivos pelos quais as cargo bikes são aposta de tendência para os próximos anos. Primeiro, porque seu custo é menor do que o de uma moto (e preço é uma das três dimensões competitivas principais do setor de logística). Depois, porque podem ser usadas para complementar as entregas feitas por caminhão – no last mile, por exemplo. O caminhão vai até um ponto e a bike finaliza a entrega.

 

c. Crowdshipping:
O conceito nasceu dentro do guarda-chuva da economia colaborativa – e já se tornou bem difundido nos estudos sobre mobilidade urbana. De um jeito simples: trata-se de um sistema por meio do qual uma pessoa faz a entrega, usando o meio de transporte a que tiver acesso. A oferta do serviço é feita por meio de aplicativos ou plataformas de market place – muitos dos “entregadores” têm outro emprego e usam o sistema para tirar uma renda extra. O crowdshipping também se espalhou por conta do preço e, assim como as bicicletas, é visto como uma maneira eficiente de finalizar uma entrega.

 

Leia também:
Como a tecnologia é aplicada na logística colaborativa

Vale destacar aqui que não estamos falando exatamente sobre novidades – as alternativas acima existem já há algum tempo. Mas sua participação deve crescer no mercado ao longo dos próximos anos, especialmente no brasileiro.

“Há ainda muito espaço para colaboração entre players (embarcadores, transportadores, recebedores, clientes). O principal desafio neste cenário será unir expertises diferentes e complementares para buscar soluções completas, eficazes e eficientes. Além de tudo, adequadas para cada uma das diversas cadeias de abastecimento existentes”, explica Oliveira.

 

2. Estoques

Tendência: mais (e mais) tecnologia nos estoques e a expansão do omnichannel

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Reduzir os custos de transporte e diminuir os prazos de entrega estão na lista dos principais desafios para qualquer operação logística. Uma pesquisa global feita pela consultoria Zebra Technology levantou que esses dois pontos são os que qualquer inovação implementada nos estoques deve atacar. Por isso, a revista americana Global Trade aposta que 2019 será o ano dos estoques.

Para diminuir gastos e ainda o tempo de entrega (afinal, quanto menos o cliente espera, mais feliz ele fica), empresas devem aumentar o uso de tecnologia nos estoques.

 

Segundo a Zebra Technology, o percentual de companhias que devem alavancar sua otimização e monitoramento de carga deve chegar a 61,6% até 2020. Em 2015, o mesmo indicador era de 51%.

 

São softwares de gestão de estoque, drones e robôs. (Aqui, aliás, tem um vídeo bem interessante de como a Amazon usa robôs em seus estoques).

 

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“Nós não precisamos melhorar apenas o avanço tecnológico em nossos estoques, mas também precisamos atualizar nosso processo de pensamento.”

Citação do estudo Taking a Look into Supply Chain’s Crystal Ball, de 2018, feito pela consultoria Zebra Technologies.

 

Um dos pontos que o relatório defende é o de que é importante as empresas olharem para a implementação de tecnologia não como um “custo” ou um “custo a ser recuperado” e, sim, no quanto é capaz de:

  1. gerar valor para o consumidor;
  2. melhorar a produtividade dos funcionários;
  3. impactar a cultura de um negócio;
  4. ser um diferencial diante da concorrência;

Em terras tupiniquins…
Por enquanto, no Brasil, o que mais devemos ver ao longo do próximo ano é o aumento da adoção de softwares de gestão de estoques, que se tornaram mais baratos e acessíveis com a tecnologia de nuvem. “O desafio fica por conta da mão de obra”, é o que diz Marcelo Schmitt, presidente da Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP), a principal associação de profissionais de gestão de cadeias de abastecimento do mundo, no Brasil.

“Não adianta a pequena e média empresa ter acesso a um software, se não tiver alguém treinado ou formado em logística para utilizá-lo. Esse é um dos principais gaps: a formação de profissionais”, diz Schmitt.

Dentro dessa tendência, há ainda a popularização das vendas omnichannel.

 

Tecla SAP
Omnichannel:
Trata-se de uma estratégia entre os canais de contato com o consumidor. Por exemplo, um cliente pode ver um produto em uma loja física e escolher comprá-lo pela internet. Ou então, ele pode fazer a aquisição online e retirar o item na própria unidade da loja. Quer dizer, em vez de os canais atuarem em paralelo, eles são projetados para cooperarem um com o outro. O objetivo final é dar ao consumidor a escolha de como ele quer comprar. Um exemplo é o da 

 

“Essa fusão de canais de distribuição exige, tanto do varejo, quanto das empresas de logística, uma capacidade de gestão de informações cada vez mais complexa. E é aí que a tecnologia entra, porque softwares de gestão de dados permitem essa operação.”


No cenário brasileiro, a tendência omnichannel deve ficar nas mãos das grandes redes que atuam nos principais centros urbanos. Assim, entre elas, o número de estoques deve diminuir.  “Por exemplo, uma rede de supermercados não precisa ter todos os itens em estoque em todas as suas unidades. Faz mais sentido deixar o armazenamento em alguns poucos pontos e fazer a entrega direto na casa do cliente.”

Para as pequenas e médias empresas que atuam em cidades menores, o omnichannel ainda deve demorar para ser usado. Em vez disso, Schmitt projeta um aumento na capilaridade das operações das PMEs. “Se você faz entregas em todo o Brasil, vai poder ter mais centros de distribuição espalhados pelo país.”

“À medida que os juros ficam mais baixos, com a inflação mais controlada, os empresários poderão aumentar sua capilaridade e fazer com que produtos cheguem em regiões onde não chegavam”, diz Schmitt. Uma das tendências que emergem junto com esse movimento é a dos estoques compartilhados ou centros de logística compartilhados.


3. Contratos 

Tendência: menos informalidade nas contratações

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No campo jurídico, uma das questões que devemos ver ao longo de 2019 é o realinhamento das relações contratuais entre transportadoras e seus clientes. A opinião é do advogado Ivan Lima, sócio do escritório especializado em logística, Cordeiro Lima. Para ele, o vínculo entre esses dois players deve mudar, por conta da crise dos transportes do começo do ano passado. Acontece que, até a chamada greve dos caminhoneiros, muitas empresas não se importavam em contratar um serviço de transportes informal que fosse mais barato do que a concorrência. Preço baixo era o atrativo principal. Mas o impacto da paralisação foi grande o suficiente para que as companhias repensassem suas prioridades.

“Os contratos feitos por grandes empresas sempre procuravam minimizar a importância do transporte. Ficavam em torno do ‘eu pego o menor preço’, mesmo que isso signifique informalidade, para que o meu frete saia mais barato.”


Entenda melhor:
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Uma vez que a paralisação começou, essas companhias notaram que tanta economia de gastos deixava o cobertor curto demais. Sem ter ao que recorrer para exigir que os motoristas ligassem os caminhões e fizessem suas entregas, elas tiveram de sentar e esperar a paralisação passar. “Não havia contrato – ou, se havia, o documento não era detalhado o suficiente para proteger a companhia.”

A mudança na relação entre contratantes e prestadoras deve ter um efeito dominó na oferta de serviços do setor como um todo. Olha só: se uma companhia concorda em pagar mais do que estava acostumada por um serviço de transporte, o provável é que também passe a exigir um serviço melhor. Por isso, Lima acredita que a relação entre os motoristas e as empresas de transporte também deve passar por mudanças. “As relações que existiam entre esses diversos players era muito frágil e isso poderia ser um problema enorme.”

A dúvida que fica para Lima é a respeito do preço do diesel. “Enquanto nós tivermos uma petroleira estatal, você sempre vai ter a mão do estado decidindo o preço do combustível – e isso não é bacana do ponto de vista de mercado. Esse é o único ponto de incerteza que vejo.”

 

4. Combustível

Tendência: a importação de diesel deve seguir em alta

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Ano passado foi um ano intenso para quem acompanha o preço de combustíveis. É que, desde o começo da história da Petrobras, o valor que pagamos pela gasolina ou pelo diesel sempre foi tabelado. Então, no ano passado, ele começou a flutuar de acordo com o valor do petróleo no mercado internacional. Até que aconteceu a paralisação dos caminhoneiros, em maio, e o governo acabou forçando a empresa a retomar o tabelamento. Somente em novembro o subsídio terminou. Assim, as compras internacionais foram retomadas, por um motivo muito simples: o Brasil refina menos diesel do que consome.

Desde o primeiro trimestre do ano passado, a Petrobras vem perdendo espaço no mercado brasileiro por conta da competição com as importações. Veja só:

 

Gasolina

  • Em 2016, a Petrobras era responsável por 90% das vendas de gasolina.
  • Em 2017, passou para 83%.
  • Em fevereiro do ano passado, bateu os 77%.

 

Algo parecido ocorreu com o diesel:


Diesel

  • Em 2016, a Petrobrás respondia por 83% das vendas.
  • Em 2017, chegou aos 74%.
  • Em janeiro do ano passado, 64%.

 

“O que o setor pede é previsibilidade. Ou seja, não dá para deixar nas mãos do governo a regulação, porque não dá para saber o que esperar. É diferente de acompanhar as flutuações do mercado.  Se eu tenho um contrato de frete com o meu cliente, eu preciso saber se esse combustível vai ser reajustado para mais ou para menos, para que eu possa ajustar a relação com ele”, diz Schmitt, da CSCMP.

 

Para o executivo, o mercado brasileiro precisava de um mecanismo de gatilho. “Todo aumento deveria levar algumas semanas para ser repassado ao setor. É algo que o governo deveria trabalhar melhor, para você não ter todo dia uma alteração no preço da distribuição e consequentemente, no posto. Os gatilhos dão previsibilidade de qualquer forma, para que o empresário já saiba com antecedência o valor do reajuste e possa fazer acordos melhores.”

 

E você? No que vai ficar de olho ao longo deste ano?

Não esqueça de comentar aqui e nas redes sociais ou nos escreva contando um pouco sobre as apostas da sua empresa para 2019: marketing@cobli.co . De toda nossa equipe, desejamos  um excelente ano e excelentes trajetos para você e sua frota.

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