Motorista dirige cerca de duas quadras por dia olhando o celular

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Que a mistura de celular e direção não é das melhoras, todo mundo já está “careca” de saber. Mas você consegue imaginar quantos metros por dia você dirige “às cegas” quando decide dar aquela “olhadinha rápida” no aparelho?

O Centro de Experimentação e Segurança Viária (CESVI Brasil) analisou esse tipo de conduta. O levantamento apontou que os participantes do estudo permaneceram entre 0,3 e 4,5 segundos dirigindo às cegas, com um tempo médio de 1,48 segundos para ler e responder uma mensagem. Ou seja, um motorista que estivesse a 100 km/h, segundo o Cesvi, percorreria até 125 metros sem estar olhando para a via.

Abrir o Facebook, uma atitude aparentemente inofensiva, também faz o motorista brasileiro ficar 3,5 segundos com os olhos no celular, de acordo com o Cesvi. No intervalo, a 100 km/h, o espaço percorrido seria de de 97 metros.

Agora vamos fazer uma simulação. De acordo com uma pesquisa chamada Global Mobile Consumer Survey, realizada pela consultoria Deloitte, os usuários brasileiros de smartphones olham seus aparelhos, em média, 78 vezes por dia.

Imaginemos uma pessoa que trabalha como motorista de uma frota de entregas passe, em média, 6 horas por dia dirigindo na velocidade média do trânsito de São Paulo (25,5 km/h). Vamos supor que, durante esse período, ele olhe o celular seis vezes a cada hora e que essa “olhadinha” dure aqueles 4,5 segundos apresentados pelo levantamento do CESVI Brasil. Ou seja, seria um total de 27 segundos olhando o celular nas 6h em que ele dirige.

Se multiplicarmos 25,5 km/h por 4,5 segundos, podemos afirmar que em uma hora de trabalho o motorista dirigiria por quase 32 metros “às cegas”. Parece pouco, né?

Agora, vamos multiplicar isso por 6h. Em um dia de trabalho esse suposto motorista dirigiria cerca de 200 metros sem olhar para a via, o correspondente a duas quadras, se aplicarmos essa metragem à Avenida Paulista, um dos logradouros mais importantes de São Paulo. Veja no mapa:

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Condutor dirigiria sem olhar para a via do MASP até a Alameda Rio Claro

Indo um pouco mais além, em um ano de trabalho o motorista dirigiria quase 50 km “às cegas”, o equivalente a distância de São Paulo até Jundiaí.

Mais perigoso que álcool

Atropelar pessoas, bater o carro e perder uma curva. Esses são apenas alguns dos riscos que fazem com que o ato de utilizar o celular ao volante seja ainda mais perigoso do que dirigir embriagado. A informação é comprovada por um estudo feito pela instituição inglesa RAC Foundation que revelou que o envio de mensagens ao volante retarda o tempo de reação em 35%, percentual bem acima da demora provocada pelo álcool (12%).

Esse retardo acontece porque o cérebro foca na ação que está sendo feita no aparelho e se “desconecta” com o que ocorre ao redor. Enviar mensagens de texto, por exemplo, aumenta o risco de acidente em 23 vezes e fazer uma ligação diminui a atividade cerebral ligada à direção em 37%, segundo o Instituto de Transportes e Tecnologia de Virgínia (VTTI), ligado a Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário (NHTSA).

Mesmo com todos esses dados, a infração mais recorrente é o uso do celular ao volante: 51,9% dos brasileiros cometem a contravenção. As principais “desculpas”, estão o uso de aplicativos (37,7%) e a realização ou o recebimento de ligações importantes ou urgentes (36,1%). Os números fazem parte da pesquisa nacional sobre o comportamento de motoristas no trânsito, realizada pela Arteris, empresa concessionária de rodovias no País, divulgada na última segunda-feira, 25, por ocasião do Dia Nacional do Trânsito.

Infração

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o uso do celular durante a direção é passível de multa de R$ 293,47 e 7 pontos na carteira. O motorista também pode ser autuado por não dirigir com as duas mãos ao volante, infração que prevê multa de R$ 130,16 e 5 pontos na CNH.
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Em um ano de trabalho o motorista dirigiria quase 50 km sem olhar para a via, o equivalente a distância de São Paulo até Jundiaí.
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